Continental. Vidros inteligentes para automóveis


Data: 28 Dezembro, 2015

A Continental anuncia uma nova tecnologia para vidros automóveis, que permite o escurecimento das janelas do carro. A apresentação será no Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas.

No Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas, entre 6 e 9 de janeiro de 2016, a Continental vai apresentar um veículo de demonstração em que todas as janelas podem ser escurecidas através do toque num botão. O “Controlo Inteligente do Vidro” (Intelligent Glass Control) utiliza películas especiais que são inseridas no vidro e que alteram a sua transparência através de sinais de controlo elétricos.

“O escurecimento seletivo e gradual dos vidros laterais e traseiros, bem como de partes do para-brisas, não só oferece um aumento considerável do conforto para os passageiros como torna a condução mais segura”, explica Andreas Wolf, diretor da unidade de negócio de Carroçarias & Segurança da Continental.

Um exemplo de utilização desta tecnologia é quando o sol se encontra baixo no horizonte. A mão do condutor vai instintivamente do volante para a pala de sol. “Como consequência a visibilidade é prejudicada e existe uma breve diminuição no controlo do veículo”. No futuro, situações como esta podem ser detetadas antecipadamente e as janelas podem ser escurecidas automaticamente antes que esta situação ocorra.

Além disso, ao usar estas películas, a radiação solar pode ser reduzida de forma mais eficaz do que com outras tecnologias, o que significa que é possível manter o calor fora do veículo e reduzir a temperatura no interior, beneficiando a unidade de ar condicionado, que pode ser mais pequena, mais eficiente em termos de energia e muito mais leve em termos de peso.

“Os nossos cálculos mostraram que as emissões de CO2 são reduzidas em cerca de quatro gramas por quilómetro graças a estas medidas, aumentando assim a autonomia de veículos elétricos em cerca de 5,5%”, diz Wolf.

Para além da diminuição do calor no interior, o escurecimento também aumenta de forma significativa a privacidade. “Se o veículo está estacionado, as janelas escurecem automaticamente, para que o interior do carro não possa ser visto a partir do exterior”. O “Controlo Inteligente do Vidro” também dá novas opções aos designers. De acordo com Wolf, as superfícies dos vidros podem ser prolongadas, não sendo necessário cobrir mecanicamente certas áreas. A película disponível ainda tem um brilho ligeiramente azul, mas no futuro a Continental espera ter uma gama alargada de cores, abrindo novas possibilidades de design. Também poderão existir outros efeitos, do acoplamento de efeitos de luz através de recuperação de energia até funcionalidades touchscreen.

 

Como funciona

As películas em que as partículas integradas podem ser alinhadas quando é aplicada corrente elétrica e que podem ser usadas para o escurecimento pretendido da janela já estão disponíveis há algum tempo. Até agora, porém, esta tecnologia apenas era viável na zona do tejadilho para um pequeno número de carros de gama alta. Os engenheiros da Continental estão a demonstrar pela primeira vez num veículo de teste a ativação inteligente da tecnologia “Dispositivo de partículas suspensas” também para as janelas laterais e traseiras e para o para-brisas. Devido a requisitos legais, no entanto, aqui é apenas mostrada inicialmente na área permitida das palas para o sol.

Esta tecnologia de película está pronta para produção e é baseada em partículas integradas, que se organizam de forma aleatória quando não existe energia e escurecem a janela a partir do exterior, mantendo a transparência a partir do interior. Se existir corrente elétrica, as partículas alinham-se de forma paralela, para que a janela se torne permeável à luz em ambas as direções. A ligação ao sistema do veículo permite que as janelas se iluminem automaticamente quando se aproximar dele com uma chave ou um smartphone,” diz Wolf.

Esta película é ainda bastante dispendiosa para os veículos de gama média com grandes áreas envidraçadas. No entanto, devido a novos desenvolvimentos promissores em aplicações iniciais na área móvel, espera-se que os preços desçam rapidamente. Existem alternativas a esta tecnologia de película, baseadas por exemplo em polímeros de cristal líquido ou eletrocromismo. As mais recentes utilizam a capacidade das moléculas e dos cristais de alterarem as suas propriedades óticas sob a influência de um campo elétrico ou de um fluxo de corrente. Esta tecnologia já está implantada no carro de forma a escurecer o espelho interior e o exterior e, assim evitar efeitos de brilho. A desvantagem em superfícies maiores é a grande quantidade de energia necessária para alcançar tempos de comutação curtos.

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