Reparação

Published on Dezembro 19th, 2012 | by Cláudio Delicado

Vidros. No reparar está o ganho

Os serviços de reparação de vidros contribuem para fidelizar os clientes por constituirem uma atrativa opção à substituição. Atualmente, a reparação de pequenos danos nos vidros, provocados por impactos de pedras ou outros objetos, é cada vez mais frequente devido às vantagens desta solução face à substituição total do vidro. A economia, a redução no tempo de imobilização do veículo e a simplicidade do proceso são os pontos-chave a destacar neste tipo de reparação.

As pequenas quebras nos vidros laminados ocorrem com grande frequência, e mesmo que não afetem diretamente a segurança do veículo, acabam sempre por ter uma influência negativa na estética. Perante este tipo de danos os proprietários têm duas hipóteses: ou recorrem à substituição do vidro ou à sua reparação. Em muitas ocasiões, dependendo do tipo e da magnitude dos danos produzidos no vidro, pode considerar-se que não é necessário proceder à sua substituição. No entanto, se estes danos não forem reparados, poderão progredir, contribuindo para uma quebra total do vidro e, consequentemente, obrigar à sua substituição.

A reparação de um vidro laminado, face à tradicional substituição por um novo, apresenta várias vantagens: a redução de despesa em materiais utilizados; a redução de deslocações por parte do cliente, já que a reparação pode ser feita ao domicílio; o tempo de imobilização é muito reduzido; mantém-se o vidro original montado de fábrica e respetiva colagem, evitando-se assim os possíveis riscos derivados do processo mais complexo de substituição, para além de contribuir para a proteção ambiental, ao reduzir o desperdício.

Graças a estas vantagens, os utilizadores devem considerar a operação de reparação em vez da substituição, tendo em consideração que o resultado final conseguido com a reparação pode depender da magnitude e do tipo de dano e que nem todos os danos são passíveis de reparação. As reparações de vidros devem ser realizadas por técnicos especializados que disponham dos conhecimentos necessários e de equipamento adequado para conseguir um bom resultado da reparação, em que se reduzam ao mínimo os vestigios do dano depois de reparado.

Dado que em certas situações o dano reparado pode continuar visível, e para evitar possíveis desvios de atenção por parte do condutor, estabeleceu-se uma zona de exclusão para o párabrisas, dentro da qual não é recomendável a reparação, para que esta não afete a visão direta do condutor.

Para establecer a amplitude dos limites desta zona podem tomar-se as seguintes referências:

– O limite superior demarcado pela zona de varrimento da escova limpa pára-brisas.

– A linha horizontal tangente ao volante no seu limite superior

– Tomando como referência a linha média do volante, o limite à esquerda fixa-se a 120mm e à direita a 180mm.

FUNDAMENTOS DA REPARAÇÃO

A técnica de reparação de vidros baseia-se na extração do ar aprisionado no interior da quebra e a sua substituição por resina de propriedades óticas adequadas para permitir a correta visibilidade através da mesma. Vários fatores podem afetar o resultado final da reparação. A forma que a quebra apresenta, mais ou menos aberta no seu interior, pode dificultar em maior ou menor grau a entrada da resina de enchimento. Outro fator importante é a limpeza do interior do dano. É por isso que se recomenda tapar o ponto de impacto com uma fita plástica para evitar a entrada de sujidade até ao momento em que se procede à reparação.

TIPOS DE DANOS

Os danos relacionados com a quebra de vidros laminados podem classificar-se da seguinte forma:

– Estrela

– Olho de boi

– Combinado

– Meia lua. (trata-se de um dano de forma igual à metade de um olho de boi)

– Rotura em greta ou fissura

EQUIPAMENTO DE REPARAÇÃO

Existem no mercado vários e distintos equipamentos de reparação de vidros, não obstante todos se basearem no processo de reparação descrito acima. Diferenciam-se essencialmente no formato apresentado pelos elementos que compõem o equipamento de reparação e as resinas utilizadas, sendo estas mais ou menos viscosas para facilitar a sua inserção no interior do dano. Estes equipamentos podem apresentar-se numa maleta de transporte com os diversos elementos utilizados, variando entre eles a inserção ou não de algum elemento complementar, mas não fundamental para a realização da reparação. Os componentes básicos são os seguintes:

– O injetor de resina e seu suporte, para colocá-lo sobre o vidro. Também pode incluir adaptadores ao suporte, para aceder melhor às diversas zonas do vidro.

– Um ou vários tipos de resinas (de reparação ou de acabamento)

– Polimento para o acabamento da reparação

– Uma lâmpada de raios ultravioleta

– Um mini berbequim, com um jogo de brocas muito finas e disco de polir.

– Material complementar diverso, como lâminas de plástico, punção, espelho, óculos de proteção, lanterna, limpavidros e outros

– Em alguns casos podem apresentar uma bateria portátil que proporciona a energia elétrica necessária para os diferentes componentes elétricos incluídos no equipamento.

Analisando as diferenças entre os diversos equipamentos de reparação existentes no mercado, destacam-se os seguintes: a eficácia do injetor para exercer uma maior pressão e vácuo sobre o dano e a responsabilidade das resinas mais ou menos fluidas para a sua inserção no dano. Por outro lado, estes equipamentos de reparação podem ser adquiridos através de distribuidores de equipamento de reparação de carroçarias. Em alguns casos concretos, os equipamentos distribuem-se mediante o sistema de “franchisings” exclusivos, sendo os franchisados e seus técnicos os responsáveis pela preparação do serviço de reparação.

ETAPAS DE REPARAÇÃO

– Preparação do equipamento de reparação

– Identificação e limpeza do dano. Identifica-se o tipo de dano e limpa-se a zona do vidro a trabalhar, evitando que se introduza no interior o produto de limpeza utilizado. Depois, com uma punção, retiramse os restos de vidro que possam estar dentro do dano.

– Delimitação de fissuras e abertura de vias. Em determinadas situações é necessário utilizar o berbequim e uma broca fina para abrir vias de acesso da resina ao interior do dano, quando este é muito fechado, impedindo a entrada desta. No caso das fissuras ou gretas, devem estabilizar-se os extremos destas com a broca para evitar que se propaguem.

– Colocação do injetor. O injetor é montado num suporte que se fixa ao vidro com ventosas. O injetor deve colocar-se numa posição perpendicular ao ponto de impacto do dano e com a boca de forma a cobrir por completo o ponto de impacto, caso contrário o injetor não poderá exercer o efeito de pressão de vácuo da etapa seguinte. e

– Extração de ar (por vácuo) e pressão (injeção de resina). Aplicando ciclos sucessivos de vácuo-pressão, extrai-se o ar que se encontra aprisionado no interior da quebra para, de seguida, preencher o interior do dano com resina. Tanto os períodos de vácuo como os de pressão variam em função do tipo de dano que estamos a reparar e o tipo de resina que estamos a utilizar, mais ou menos viscosa, adequando-a ao tipo de dano e á temperatura ambiente a que se efetua a reparação.

– Em certas situações pode ser necessário aquecer ligeiramente e por um curto espaço de tempo a zona afetada, para facilitar a injeção de resina. Uma vez introduzida, coloca-se uma fita plástica sobre o ponto de impacto para evitar que a resina saia.

– Cura da resina. Depois de completamente preenchido o dano, procede-se à secagem da resina através do uso de uma lâmpada de luz ultravioleta, que acelera este processo.

– Acabamento da reparação. Depois de termos conseguido uma boa secagem da resina retiramos o material em excesso com um raspador ou uma  lâmina, aplicando-se depois uma resina de acabamento para reparar o ponto de impacto a fim de manter a continuidade superficial do vidro.Com a resina de acabamento o procedimento é idêntico ao da resina anterior. Seca-se com a luz ultravioleta e elimina-se o material em excesso com uma lâmina.

– Acabamento final. Para melhorar a estética da reparação deve aplicar-se um polimento que garanta o acabamento final e que proporcione o brilho da superfície da zona reparada.

– Finalmente, podemos regressar ao nosso local de trabalho.

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