Editorial

Published on Maio 11th, 2016 | by Andreia Amaral

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Sair do “quintal”

O mais recente estudo “Observador Cetelem” revela que seis em cada dez portugueses estão preparados para largar os comandos do automóvel e comprar um veículo autónomo. Bastante acima da média europeia, tal como acontece com as vendas de telemóveis e smartphones, este número revela que os consumidores lusos são ávidos de tecnologia. Por isso, quando o mesmo estudo indica que a maioria dos portugueses procura sistemas de manutenção preventiva, de localização de oficinas económicas nas suas imediações e de receção e troca de informações com o seu concessionário ou oficina, constata-se que existe todo um negócio por explorar no pós-venda.

Na mesma linha de pensamento, Alexandre Ferreira, recém-eleito presidente da ANECRA, afirma, na entrevista que revelamos nesta edição, que já existem três milhões de veículos com capacidades comunicantes em Portugal, assim se instalem os devidos dispositivos.

Num momento em que é imperativo encontrar negócio, e naquela que é uma possibilidade de aumentar receitas, tanto para o comércio de peças, como para a prestação de serviços, impõe-se a questão: por que não se aproveita a oportunidade? A pergunta é tanto mais pertinente quanto se prevê que, perante uma fiscalidade penalizadora, as vendas de veículos novos abrandem, colocando-se a ênfase na reparação do parque existente.

Muitos poderão dizer que em causa está a liquidez financeira e a dificuldade em canalizar fundos para o investimento. No entanto, este obstáculo pode ser superado por via do estabelecimento de parcerias e da colaboração, partilhando-se o esforço e os riscos, com benefícios para todos. É neste âmbito que alguns agentes do setor têm reiterado que a independência – enquanto pensamento, estratégia e atuação isolada – terá de acabar. O conceito de “coopetição”, a cooperação em cenário de concorrência, é já aplicado em inúmeros setores e já deu provas de sucesso. É desse espírito que estão imbuídos agentes do setor como Alexandre Ferreira ou Ricardo Venâncio, administrador da Autozitânia, uma empresa de sucesso cuja estratégia lhe damos a conhecer neste número.

Se os empresários da área olharem apenas para o seu “quintal”, nunca conseguirão dele sair ou almejar algo mais. Nunca terão a perceção de que podem prosperar porque, mesmo ao lado, existe terreno fértil livre, que pode ser seu. Nunca perceberão que o seu vizinho o pode, e quer, ajudar. Enquanto se limitarem as visões, limitam -se também as possibilidades de sucesso. Por isso, está na altura de “sair do quintal” e ver o quadro completo, porquanto ele é tão mais promissor.

 

Por: Andreia Amaral – Editora-Chefe

Artigo originalmente publicado na Turbo Oficina n.º48

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