Opinião

Published on Abril 2nd, 2015 | by Cláudio Delicado

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Retrospetiva do ano de 2014

Por António Teixeira Lopes (Presidente da direção da ARAN, Associação Nacional do Ramo Automóvel

No ano de 2014 o após venda português terá valido qualquer coisa como 2,4 mil milhões de euros. Estimamos que cerca de um terço do valor não tenha sido
facturado e passado ao largo do fisco. Infelizmente, para o ano de 2015, espera-se unicamente um crescimento na ordem dos 2 a 3%. De referir que o valor do ano de 2014, foi inferior em cerca de 6% ao valor de 2012. Enquanto os portugueses não tiverem as suas finanças em dia, o automóvel não será uma prioridade, pois a habitação, saúde, alimentação e educação estarão sempre antes. Receamos pela falta de seguro e pela segurança rodoviária, pois por vezes ouvimos, que automóveis irão à inspecção com pneus emprestados.

No que respeita à reparação não legal, que valerá um terço da facturação, os incentivos em sede de IRS são, em nosso entender, insuficientes para consciencializar os portugueses para preferirem empresas reparadoras legais. O não legal trabalha à cabeça com 23% de desconto na mão de obra, mas se contabilizarmos outros custos, como os ambientais, da medicina no trabalho, entre outros, facilmente poderemos falar de 35 a 40%, inferiores aos custos de
uma oficina legal, que liquida os seus impostos e tem os seus trabalhadores na Segurança Social e com seguro de acidentes de trabalho. Os não legais acarretam uma concorrência perfeitamente desleal para com aqueles que todos os meses lutam para pagar os salários (e muitas vezes o seu próprio). As autoridades deveriam combater os ilegais, pois estes trabalham sem liquidar grande parte dos impostos, mas preferem em contrapartida fiscalizar os legais.

A retoma ocorrerá, infelizmente, muito devagar, sendo no após venda na ordem como se referiu dos 2 a 3% ao ano. Será imprescindível que a cadeia dos operadores do após venda se adapte à actual realidade do povo português, cuja capacidade financeira diminuiu substancialmente nos últimos anos. Verificamos que no dia-a-dia existem operadores que, pese as dificuldades, se adaptaram ao novo perfil e, muitos outros que não quiseram ou não souberam adaptar-se. Cabe aos operadores a adaptação a esta circunstância, mas de modo algum poderão descurar o avanço da tecnologia automóvel. A formação, ovos equipamentos de diagnóstico e novas ferramentas (e saber como as usar), é mais do que indispensável.

Estamos em crer que, aqueles que ultrapassarem estes tempos de crise, deles sairão mais fortes, seja por se terem tornado mais competitivos, como também porque irão ter menos concorrência devido ao desaparecimento dos mais fracos. Para os que não se adaptarem o seu fim será triste. Desde 2006, encerraram metade dos operadores.

Quanto às vendas de automóveis no ano de 2014 gostaríamos de frisar que embora não possuindo ainda números concisos, estamos em crer que mais de metade do aumento na ordem dos 36%, verificado em relação ao ano anterior, se terá devido às frotas nas suas diversas componentes, tais como rent-a-car, aluguer de longa duração, etc. Estas vendas, na sua grande maioria, não passaram pelos operadores do retalho, não estando pois ainda reflectidas no consumidor final. Ainda faltam mais de 100.000 automóveis, ou seja cerca de 37%, para se chegar aos valores do ano de 2008, valores esses que consideramos como mínimos para a sobrevivência dos operadores do retalho (concessões).

Portugal, seja nas vendas como no após venda, irá recuperar devagar e sempre dependente da situação económica do país.

Saiba mais sobre a ARAN em www.aran.pt

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