Manutenção

Published on Dezembro 19th, 2012 | by Cláudio Delicado

Pequenos danos, grandes soluções. Reparações rápidas e invisíveis

Deparamo-nos frequentemente com pequenas amolgadelas nas lateriais, resultantes de pancadas de portas dos carros que estacionam ao lado, arranhadelas em postes ou pilaretes, impactos de pedras ou toques nos pára-choques. São pequenos danos que nem sempre são reparados, por falta de tempo ou de dinheiro.

Quando falamos de reparações de pequenos danos da pintura, são várias as técnicas ou processos a que nos podemos estar a referir: pinturas parciais, esbatidos, retoques, “spot repair”, “smart repair”, etc. É importante conhecer e diferenciar cada uma destas técnicas. A técnica de esbatimento de tinta, aplicada aos acabamentos bicamada, consiste em esbater a cor com a base bicamada mediante a aplicação das diversas demãos da cor em extensões cada vez maiores, terminando com a aplicação do verniz, em princípio em toda a peça ou peças afetadas.

Trata-se de uma técnica aplicada muito utilizada no dia-a-dia do pintor e que resolve problemas de igualização da cor, sendo aplicável tanto em pequenas como em grandes superfícies a pintar e seja esbatimento dentro de uma peça ou esbatimento para a peça adjacente. Pelo contrário, quando se aplica a base bicamada a toda a extensão a repintar, como por exemplo no caso das peças substituídas, esta designa-se “ao corte”.

É preciso não confundir a técnica do esbatimento com as chamadas pinturas parciais, em que não se pinta a peça inteira, mas apenas uma parte desta, onde se situa o dano. As pinturas parciais são possíveis quando estamos em presença de molduras ou pregas no painel, ou seja, trata-se de zonas delimitadas.

Finalmente, pode realizar-se um esbatimento com o verniz e com o esmalte monocamada, técnica a que se costuma chamar retoque. Neste tipo de reparações a superfície a pintar não está delimitada, como nas pinturas parciais, pelo que, requer uma maior experiência e habilidade da parte do pintor. Para além disso, é possível que, com o tempo, a zona de união entre a pintura aplicada e a pré-existente possa acabar por se notar. Esta é a técnica que este artigo se refere.

PROCEDIMENTOS

Este tipo de reparações não se recomenda quando os pequenos danos não se encontram no meio de grandes painéis, como por exemplo capôs, tejadilhos, laterais, etc. Nestes casos obtêm-se melhores e mais rápidos resultados com as técnicas de pintura convencionais. Para obter um acabamento satisfatório e o mais rentável possível, esta técnica deve aplicar-se a pequenos danos localizados num rebordo ou extremo de uma peça que esteja delimitado, em parte, por outros elementos da carroçaria (faróis, vidros, frisos, etc), de forma a que a reparação fique dissimulada e permite uma poupança de tempo e custo de materiais relativamente às técnicas convencionais.

A sua aplicação é habitual, por exemplo, em pára-choques, devido às formas mais complexas que permitem delimitar as zonas a reparar. Outra situação em que deve realizar-se este tipo de operação é no caso da pintura de uma lateral ou de um guarda-lamas traseiro, em que existe continuidade da peça até ao pilar e, em certas ocasiões, até ao tejadilho. Para evitar a extensão excessiva da aplicação de verniz realiza-se o retoque cortando no pilar traseiro ou na zona de união com o tejadilho numa zona mais estreita.

O processo do esbatimento do verniz ou esmalte monocamada pode variar em diversos aspetos, segundo as instruções do fabricante dos produtos de pintura utilizados. O procedimento comum num acabamento bicamada consiste em:

– Aplicação das pinturas de preparação ou fundos, concluindo com a aplicação e lixagem do aparelho

– Despolimento do contorno da zona aparelhada. Prepara-se a zona onde se vai sobrepor o verniz aplicado com o que já existe na peça. Há que ter em conta que a aplicação final com o diluente de esbatimentos deve realizar-se sempre dentro da zona despolida, pelo que se recomenda um despolimento mínimo de 25 a 30 cm em redor da zona aparelhada. Este despolimento termina com um “scoth brite” ou um esfregão ultrafino e depois com uma lixa P3000 ou P4000.

– Aplicação da base bicamada até cobrir o dano. Esbate-se a cor mediante a técnica de fade-out (desde a zona a cobruir para o exterior) ou de fade-in (em sentido contrário), conseguindo um doseamento de maior para menor quantidade de produto consoante nos aproximemos ou afastemos da zona reparada.

– Aplicação de verniz dentro da zona despolida, de forma gradual, reduzindo a quantidade de verniz consoante nos afastamos do dano.

– Integração do verniz aplicado com o original da peça, mediante a aplicação, na zona de união, de uma mistura de verniz pronto a aplicar com o diluente de esbatimentos na proporção indicada pelo fabricante. Ou se aplica esta mistura, ou se aplica diretamente o diluente de esbatimentos sem mistura, até conseguir a união do verniz fresco com o original. Devem seguir-se sempre as instruções do fabricante.

– Uma vez seco, deve proceder-se ao polimento da zona, de forma suave e sem pressionar demasiado. Por vezes, o fabricante recomenda um polimento da zona antes da aplicação da pintura de acabamento. No caso da retoque em acabamentos monocamada as operações são  semelhantes, excepto no facto de ser o esmalte monocamada a misturar-se com os produtos de esbatimentos para conseguir a integração com o esmalte original.

PRODUTOS

Os fabricantes de produtos de pintura dispõe de productos específicos para este tipo de operações. São os chamados “diluentes de esbatimentos”, que se apresentam como produtos para misturar com o verniz ou esmalte monocamada em certa proporção, diretamente com a pistola aerográfica, ou em formato aerosol (spray).

FERRAMENTAS

Para realizar este tipo de trabalhos a oficina não necesita de grandes investimentos, já que se trata de equipamentos e ferramentas habituais nas oficinas de pintura:

Pistolas: Podem utilizar-se as habituais pistolas de pintura ou as de retoques, que cada vez têm um tamanho menor mas contam com as tecnologias mais recentes. Quer sejam do tipo HVLP ou híbridas, tratam-se de pistolas com um menor diâmetro do bico, o que permite reduzir a área de reparação em relação às pistolas convencionais.

Lixadoras: Com a mesma filosofia das pistolas, para reduzir o mais possível a superfície de reparação recomendam-se lixadoras com um diâmetro do prato de 75-80 mm. Também podem ser necessárias lixadoras manuais, sendo também aqui de empregar as de menor tamanho possível.

Pulidoras. Necessárias para o polimento.

Equipamento de infravermelhos são recomendáveis para acelerar o processo de secagem, reduzindo os tempos e custos.

RENTABILIDADE

A realização deste tipo de reparações resulta numa poupança de tempos de mão de obra e de consumo de materiais. A redução de tempo é especialmente útil para compensar as operações de isolamento (papel ou plástico), lixagem, desmontagem e montagem dos acessórios. No caso dos materiais esta redução da zona de intervenção implica também uma redução de consumo de verniz ou esmalte monocamada, produtos de isolamento e lixas.

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