Editorial

Published on Julho 10th, 2016 | by Andreia Amaral

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O grande inimigo

A transformação substancial dos sistemas dos automóveis e a evolução permanente, e a um ritmo veloz, da tecnologia têm levado muitos players do setor a defender que apenas aqueles que conseguirem acompanhar o passo da indústria, quer em termos de equipamentos, quer ao nível do conhecimento, conseguirão sobreviver.

A ideia poderá parecer um pouco exagerada para alguns, que poderão acobertar-se no facto de, existindo rodas e motor, as bases estarem lá e, entre a extrapolação e a experiência, ser sempre possível “desenrascar” uma solução.

No entanto, o escrutínio atento de um qualquer sistema de um veículo mais recente facilmente desmoronará esta preconceção, revelando-a como um castelo de cartas. Foquemo-nos no exemplo do filtro antipartículas (FAP), componente ao qual dedicamos o Dossier desta edição. Para muitos daqueles que tiveram um problema nesta peça, a resolução do mesmo ganhou contornos de um verdadeiro pesadelo, com erros consecutivos, imobilizações permanentes e pequenas fortunas despendidas. Não é por acaso que falar no FAP está para o proprietário de um veículo como referir “o papão” a uma criança de quatro anos, quando, na verdade, as oficinas têm ao seu dispor um conjunto de soluções eficientes e acessíveis que permitem resolver a questão, assim estejam os seus profissionais devidamente informados sobre elas e sobre o funcionamento do componente, bem como da sua ligação aos restantes órgãos do veículo.

Aqui, a experiência sensorial não chega, sob risco de danos avultados para o cliente e para o negócio, que poderá ter de se responsabilizar por intervenções dolosas. O único caminho é o da aprendizagem contínua e o da humildade para perceber que, independentemente dos anos de profissão, as coisas mudaram, e estão a mudar, sobremaneira. A formação impõe-se, assim, como condição indispensável à sobrevivência, conforme damos conta no especial que dedicamos a este tema. Dele sobressai, tal como da entrevista que realizamos a João Fonseca Pereira, responsável do Laboratório de Engenharia Automóvel do IPL, o facto de o grande inimigo dos profissionais do ramo não ser a mudança, mas a crença de que já sabem tudo. E, enquanto assim for, terão de continuar a lutar contra si mesmos, porquanto são os próprios a condenarem o seu sucesso.

 

Por: Andreia Amaral – Editora-Chefe

Artigo originalmente publicado na Turbo Oficina n.º50

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