Opinião

Published on Abril 10th, 2013 | by Cláudio Delicado

Hélder Amaral (CDS-PP): “Acredito na capacidade de resistência e adaptação do setor”

Na edição de aniversário da Turbo Oficina ouvimos os grupos parlamentares sobre o setor automóvel e o aftermarket. Durante esta semana publicamos as cinco entrevistas. Hoje é a vez do CDS-PP.

 

– Como analisa a atual situação do mercado automóvel em Portugal?

O mercado automóvel em Portugal, à semelhança do sector da construção civil, tem sido um dos sectores mais afetados por uma crise que é nacional, mas que acima de tudo é europeia. Como evidenciam dados estatísticos, em 2011 o volume de vendas anual no total do Mercado Automóvel, em Portugal, decresceu aproximadamente 30%, e em 2012, 41%. Contudo, o ano de 2013 trouxe alguns acontecimentos positivos. Tal como foi recentemente noticiado, apesar de uma queda global na Europa de 9,5% nas vendas de automóveis ligeiros de passageiros, no acumulado dos dois primeiros meses de 2013, comparando com o acumulado de 2012, Portugal apresenta uma subida de 4,7%. Portugal divergiu da Europa, no bom sentido.

 

– E em relação ao mercado da reparação e manutenção automóvel?

O mercado da reparação e manutenção automóvel acaba por sofrer igualmente com o mesmo problema, que é a crise nacional e europeia que tem afetado os demais sectores.

 

– Este tem sido um dos setores mais afetados pela crise e pelo aumento de impostos. Foi um mal necessário?

Não colocaria a questão dessa forma. O que acontece é que o sector automóvel tem sido dos que mais se têm ressentido na Europa. Ora, no caso de Portugal, país intervencionado, e a proceder à necessária consolidação orçamental, é natural que este sector tenha acabado por sofrer ainda mais. No CDS não consideramos que este aumento de impostos que ocorreu seja uma solução de longo prazo. Contudo, para existir uma diminuição da carga fiscal, tal terá que ser compensado de outra forma. Daí a importância da reforma do Estado, da qual os partidos da oposição simplesmente se quiseram descartar. Não querem tantos impostos, mas também não querem reduzir a despesa do Estado. Querem tudo como está, ou seja, não querem solucionar o problema.

 

– Qual é o caminho para recuperar este setor?

A recuperação deste sector está dependente não só do plano interno, como também do plano externo. Do ponto de vista interno, esperamos que quando o país começar finalmente a crescer, após a necessária consolidação das contas públicas, que este sector também possa recuperar de uma forma sustentável. Acredito na capacidade de resistência e adaptação do sector. Este é um tempo de gestão rigorosa, de busca permanente de inovar e encontrar novas formas de chegar ao mercado.

 

– Quais as ideias que o seu partido tem para o setor das oficinas/reparação/manutenção automóvel, onde se incluem grandes grupos no setor das peças também?

Trata-se de atividades económicas que são muito importantes para o nosso país, na medida em que são compostas por muitas PME’s, que dão emprego a muitos portugueses. Para o CDS, as Pequenas e Médias Empresas são o que de mais importante há no tecido empresarial português, e devem ser acarinhadas e protegidas. Estamos a estudar o sector no sentido de encontrar uma saudável relação entre os vários operadores, e uma verdadeira cultura de concorrência.

 

– Esta política não pode fazer com que outras empresas multinacionais não se queiram radicar em Portugal?

Esta política naturalmente que comporta riscos. No entanto, devemos recordar que a necessidade da mesma decorre essencialmente do pedido de ajuda externa que foi feito pelo Partido Socialista no ano de 2011, após uma governação que qualifico de desastrosa e que agora, infelizmente, acabamos por estar todos a pagar. A chave para o problema passa muito por uma resposta da Europa.

 

– Depois desta crise julga que o setor automóvel estará mais forte ou foi totalmente aniquilado? Esta foi uma forma de “limpar” um pouco o mercado?

Sinceramente, não acredito em destruição criativa. Acredito que o sector automóvel terá capacidade para enfrentar mais este desafio que a conjuntura nacional e europeia nos impõe. Há, por exemplo, na indústria de componentes trabalho bem feito e que, independentemente da crise, tem criado valor, tem capacidade exportadora, e julgo que vai dar cartas no futuro.

 

– Prevê alguma medida urgente para incentivo às PME?

Uma medida sempre defendida pelo CDS para ajudar as PME’s foi a do IVA de Caixa. Estamos confiantes que o Governo irá implementar esta medida, e esperemos que tal ocorra ainda este ano, pois trata-se de algo muito aguardado pelas PME’s portuguesas. Outras passam por reduzir os custos de contexto, e por um sistema fiscal mais simples e competitivo. Esperamos que esta carga fiscal seja temporária, e estamos a trabalhar numa revisão do IRC. Apesar das dificuldades, tem havido um conjunto de linhas de apoio às PME’s no sentido de atenuar a dificuldade de acesso ao crédito, e esperamos que seja possível reforçar algumas delas. É verdade que não resolvem tudo, mas é importante aproveitar todas as oportunidades.

 

– A profissionalização é o caminho? As empresas portuguesas têm capacidade para competir com as empresas internacionais?

As empresas portuguesas sempre se destacaram pelo fator qualidade. Neste momento, a internacionalização tem sido uma vertente aprofundada pelo sector empresarial português. Como é público, e tal como evidenciam dados do INE, Portugal aumentou substancialmente as suas exportações para fora da Europa, nomeadamente para a China e Angola, o que significa que os nossos bens são competitivos, têm qualidade e podem competir ao nível internacional. As empresas portuguesas estão de parabéns.

 

– A fuga de impostos é um problema em algumas destas empresas, nomeadamente em oficinas que trabalham à margem da lei. Qual a medida que defendem para acabar com este problema?

Relembro, no que respeita ao combate à fraude e à evasão fiscal, que o atual Governo tem implementado medidas cirúrgicas e criativas, que têm tido resultados muito positivos. A título de exemplo, gostaria de destacar o Decreto-Lei n.º 198/2012, que procede à criação de medidas de controlo da emissão de faturas e outros documentos com relevância fiscal, bem como à criação de um incentivo de natureza fiscal à exigência daqueles documentos por adquirentes. Passou finalmente a existir um benefício para o consumidor que pedir fatura.

 

*Hélder Amaral é deputado do CDS-PP

Amanhã publicamos a entrevista com Bruno Dias, deputado do PCP.

 

 

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