Produtividade

Published on Agosto 1st, 2016 | by Andreia Amaral

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Excelência na Produtividade – O Trabalho Padronizado

Depois de se ter o espaço oficinal reconvertido e adaptado, pretende-se agora analisar as práticas de trabalho, identificando a melhor forma de executar cada tarefa. A criação do ‘trabalho padronizado’ é a forma de se conseguir criar estabilidade, um princípio base para a melhoria da área de trabalho.

Para esta nova fase da Gestão Lean, usaremos uma metodologia chamada Trabalho Padronizado, que se caracteriza por mapear cada uma das tarefas, com base na realidade diária, criando depois três documentos de suporte ao posterior treino e monitorização:

1. Tabela combinada de Trabalho Padronizado

2. Layout ótimo da área de trabalho

3. Instruções de Trabalho

 

O que é o Trabalho Padronizado?

É uma forma de organizar as tarefas diárias para que sejam executadas de forma repetível e reproduzível. Repetível significa que cada pessoa, quando executa um determinado trabalho, o faz sempre com a mesma sequência, usando ferramentas adequadas e está dotada dos conhecimentos necessários. Reproduzível, significa que todas as pessoas fazem esse mesmo trabalho, dessa mesma forma. São estas duas condições que criam a previsibilidade dos resultados de cada intervenção realizada nas viaturas dos clientes, e garantem que os tempos e os custos das revisões e reparações são consistentes, a cada serviço. Como facilmente se entende esta é a base para o desenvolvimento de atividades de melhoria contínua ao longo do tempo, através do envolvimento de toda a equipa, pois permite que algo que todos fazem de igual forma, se possa analisar, criticar e melhorar.
A sua total aplicação estende-se ao longo de
4 fases. Nesta edição, focamos a primeira Fase:

 

TABELA COMBINADA

(de trabalho padronizado) | parte i

Em que consiste?

Vamos para o ‘chão de oficina’ e vamos VER o que lá se passa, registando as tarefas, sequências, tempos de trabalho e de espera, número de pessoas, máquinas e equipamentos usados, de cada uma das diferentes intervenções automóvel. Sugere-se que identifiquem quais as são as tarefas mais comuns, aquelas que são realizadas todos os dias (manutenções básicas ou outras) e comecem por aqui.

Síntese: Aprender a VER*(!) e não apenas a olhar

*Vem do termo anglo-saxónico ‘learning to see’ e representa a capacidade de identificar Elementos de trabalho que agregam Valor, os que são Trabalho Contingente ou os que são mero Desperdício.

 

Qual a relevância desta Fase?

No final deste Artigo terá as bases para fazer um ensaio com a sua equipa, indo para o ‘chão de oficina’, mapeamento as tarefas e atribuindo-lhes um ‘rótulo’ sobre se:

i.   Adicionam Valor ou se adicionam Desperdício

ii. São Adequadas ao Propósito

iii.  Os equipamentos são Capazes

iv. Se tudo está Disponível quando é necessário

 

Este trabalho é fundamental para construir capacidade crítica na equipa.

Síntese: Criar uma base metodológica simples para todos puderem mapear, analisar e melhorar os seus processos

 

Como proceder?

Passo 1

Imprima as tabelas:

TAB_1

TAB_2

TAB_3

O primeiro passo é compreender como o utilizar. Eis algumas pistas e instruções:

1.  Leia e compreenda o significado de:

a.  Valor Acrescentado

b.  Desperdício necessário ou Trabalho contingente

c.   Desperdício puro

2.  Leia e compreenda o significado de:

a.  Sobre produção

b.  Sobre processamento

c.   Transportes

d.  Movimentos

e.   Tempos de espera

f.   Reparações

g.   Inventários

Passo 2

Aplicar o ‘principio de Pareto’ às tarefas mais realizadas na Oficina: De entre todas as manutenções/reparações, quais os 20%, que representam 80% do tempo dos mecânicos? A resposta deve ser a lista das manutenções/reparações que serão mapeadas nos próximos passos.

Passo 3

Nesta fase, já compreende as definições relevantes e tem o modelo de suporte ao mapeamento, impresso e consigo. Tem também identificadas as manutenções/reparações que serão mapeadas. Vá para o ‘chão da oficina’ e inicie o preenchimento do modelo.

Eis algumas pistas e instruções:

a.  Comece por listar cada passo do processo e não se preocupe com as colunas seguintes. Observe o número de vezes que for necessário e refine os seus registos da intervenção. Quanto maior o número de ciclos de observação, maior a sua compreensão do processo, melhor a sua capacidade de distinguir e classificar as tarefas entre Valor e Desperdícios e melhor será a capacidade de perceber as causas raiz de cada um dos Desperdícios observados. As observações podem ocorrer em dias separados.

b.  Agora, para cada linha do modelo a que corresponderá uma tarefa, pinte o ícone que melhor se adapta (Processo, Transporte, Controlo, Espera ou Armazenamento). Analise a ‘mancha’ criada e o peso de cada categoria.

c.   Colete vários tempos para cada tarefa e faça a média dos tempos observados, removendo primeiro o tempo mais rápido e o mais lento. Analise onde cada colaborador está a perder muito tempo.

d.  Classifique cada Tarefa entre as três categorias possíveis: Valor, Desperdício necessário ou Desperdício puro e descreva de forma sumário o que viu na coluna mais à direita.

Passo 4

Está neste momento em posse de informação PRECIOSA para conhecer os problemas dos seus processos oficinais, interpretar as causas raiz que impõem essas práticas menos eficientes e decidir sobre como alterar, melhorando a adequabilidade, a capacidade e a disponibilidade das pessoas, ferramentas e processos.

Passo 5

Todos os colaboradores da empresa devem estar a par desta campanha de Mapeamento do Trabalho. Deve ser comunicada com uma semana de antecipação, criada uma agenda, uma hora de início e uma hora de fim. Dicas para a agenda:

1.  Reunião de todas as pessoas num local

2.  Identificação das tarefas a mapear;

3.  Comunicação das regras (ler este Artigo na integra);

4.  Perguntar por dúvidas;

5.  Comunicar hora de início e de término da campanha;

6.  Comunicar hora da reunião final;

7.  «Ir para o terreno»;

8.  Regressar e fazer o balanço, incluindo um forte agradecimento pelo empenho demonstrado (incluir um pequeno lanche ou equivalente, como ato de agradecimento). Comunicar que o Artigo 7,dará continuidade a este trabalho e que, até lá, há que ir mapeando as restantes intervenções/tarefas.

 

Por: Lean Academy Portugal

 

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