“Dimensão do mercado português é pequena”

Texto: Redação

Especializada na comercialização de peças para veículos japoneses e coreanos, a Nipocar está a cumprir o seu 30º aniversário e, por isso, impunha-se conhecer a empresa e a opinião dos seus responsáveis sobre o mercado português

Para conhecer melhor um dos maiores “players” do mercado nacional dedicado às peças para veículos japoneses e coreanos, nada melhor que falar com os responsáveis da empresa. Assim, a TURBO OFICINA conversou com Maria Helena Magalhães, diretora financeira e de qualidade da Nipocar e, ao mesmo tempo, senior partner da empresa. Uma entrevista muito interessante que aborda variados temas, desde o nascimento da empresa até ao projetos de futuro, passando por uma análise ao mercado e às maiores dificuldades que, na opinião de Maria Helena Magalhães, “é demasiado pequeno o que o torna menos dinâmico.”

Como vê o aftermarket no geral em Portugal?

Dentro do segmento do aftermarket, a Nipocar apenas atua no âmbito das peças para veículos japoneses e coreanos. Todos os intervenientes no contexto do aftermarket estão, a cada dia, mais conhecedores e exigentes para com os “players” presentes no mercado. Em termos gerais o mercado está estável no tocante à penetração direta de (novas) empresas e, o setor no qual a Nipocar está inserida, tem tido um crescimento constante, embora moderado.

Especificamente na área das peças para japoneses, quais os maiores desafios já enfrentados e quais as maiores dificuldades de apostar neste mercado?

A Nipocar trabalha ao nível das peças de motor e carroçaria. A sua operação, bem como a plataforma proprietária B2B que possui – o NIPNET – está estruturada em 6 (seis) categorias de produtos: colisão, travagem, motor, refrigeração, suspensão/direção e transmissão. Os maiores desafios (con)centram-se na permanente atualização do catálogo em face dos novos modelos disponibilizados pelos construtores e, de igual modo, uma rigorosa atenção ao abastecimento, fator o qual nos tem permitido, ano após ano, solidificar a nossa quota de mercado.

Quais são as maiores virtudes e os maiores pecados do mercado português?

Como todos os mercados, o mercado português possui características próprias. Não sendo uma virtude ou um pecado, mas sim uma realidade, a dimensão do mercado nacional é pequena e, por essa via, menos dinâmica.

A invasão chinesa, a falsificação e a venda online são preocupações?

Como dissemos atrás a nossa empresa está no segmento das peças para veículos japoneses e coreanos. A Nipocar segue um lema, uma bandeira própria de apostar no serviço personalizado de atendimento ao cliente. No tocante aos produtos chineses e às peças contrafeitas ou recondicionadas, as mesmas existem e estamos certos que o mercado encontrará o seu equilíbrio. Esse equilíbrio será exigido pelo cliente final na definição do mais competitivo binómio preço/qualidade, já que o preço, por si só, não é ou será factor único de decisão de compra nesta área.

Considera que as oficinas e os reparadores sabem quais as diferenças de qualidade e na hora da substituição ou reparação optam pela melhor solução, ou estão subjugados ao preço e procuram outras soluções?

A Nipocar efetua a venda direta a casas de peças (revendedores/distribuidores) pelo que não poderá atestar em detalhe as práticas formais das oficinas e reparadores. No entanto e, como já dito, o cliente final está cada vez mais informado do que pretende e, com isso, cada vez mais vai em busca de um produto que, diretamente ou por aconselhamento de terceiros, possua credibilidade, qualidade e aceitação formal no mercado.

Quais as maiores exigências do mercado?

Julgamos que as maiores exigências se prendem desde logo com o referido binómio preço/ qualidade, mas também, de um modo crescentemente importante, com a disponibilidade dos produtos, eficiência logística e a qualidade do serviço ao cliente.

Que produtos comercializam e de que marcas?

A nossa plataforma B2B denominada NIPNET está estruturada em 6 (seis) categorias de produtos: colisão, travagem, motor, refrigeração, suspensão/direção e transmissão. Atualmente somos representantes de duas marcas para o mercado nacional e/ou ibérico – a Sakura (filtros) e a Seiken (componentes hidráulicos de travão e embraiagem). São produtos, para viaturas japonesas, de elevada qualidade e que competem em “pé de igualdade” com os produtos originais. Estas marcas são o espelho da Nipocar no tocante à qualidade e fiabilidade de desempenho.

Qual foi o produto mais vendido em 2017 e quais as suas principais caraterísticas?

As nossas categorias de produtos mais vendidos, estão uniformemente assentes no material de carroçaria, motor e de desgaste. No corrente ano estamos em linha com o crescimento ocorrido pela Nipocar no ano de 2016.

Quais as maiores novidades no vosso catálogo e quais as suas principais caraterísticas?

As maiores novidades centram-se no apetrechamento, em cada representada, de uma maior e mais adaptada gama de peças / components que correspondem às solicitações do parque automóvel circulante e às alterações que, a C/M prazo se darão pela (inevitável) entrada dos veículos elétricos e híbridos.

Acha que as oficinas estão preparadas para sensibilizar o cliente para a importância de escolher bem e não apenas em função do preço?

Essa é uma sensibilização que a Nipocar efetua junto dos seus clientes nacionais / internacionais – através da rede de comerciais – apostando na disseminação da informação dos seus produtos e no comparativo técnico de alguns produtos que representa, em exclusividade, para o mercado português e ibérico.

Quando e como nasceu a Nipocar?

A Nipocar é uma empresa familiar criada em 1987. No presente ano cumprimos o nosso 30.º aniversário de atividade. No momento, a nossa empresa tem 22 colaboradores permanentes e duas instalações físicas no território nacional – em Gondomar/Porto (sede) e Sacavém. Essa génese é a base do trabalho diário da empresa, o qual está assente na dedicação, colaboração, cooperação e formação contínua (técnica e transversal) de todos, em prol do desenvolvimento sustentado e sustentável da empresa.

Qual foi a estratégia seguida até agora para gerar mais volume de negócio e, naturalmente, resultados positivos?

A estratégia seguida, desde sempre, assenta na satisfação do nosso cliente, na escolha e disponibilização de linhas de produtos com uma elevada relação preço/qualidade, a aposta numa gama variada de peças e na constante reposição de stock, a qual, garante à Nipocar uma elevada taxa de disponibilidade do(s) produto(s). De igual modo, a procura de novos mercados/ clientes a nível nacional e internacional é também uma preocupação permanente da Nipocar.

Existem planos de expansão? Querem avançar para peças com marca própria?

A Nipocar tem já uma marca própria, denominada “NIPOkm”. A mesma foi criada há cerca de 5 anos e visa disponibilizar aos seus clients produtos diferenciados – em alguns casos com 3 opções distintas de compra – para os diversos segmentos de mercado. Esta exigência decorreu do feedback dos seus clientes e do mercado. Atualmente a nossa marca própria tem já uma quota muito relevante no total de vendas da empresa.

Quais são os planos para o futuro?

Desde a sua génese que a Nipocar desenvolve a sua atividade, tendo em conta a permanente preocupação na/pela diferenciação, inovação, célere disponibilização de produtos ao Mercado e sustentabilidade. O futuro da empresa passa por crescer no mercado interno e, de um modo ético, transparente e consolidado trabalhar alguns mercados externos para os quais reúna competências técnicas, humanas e financeiras, já que o investimento na internacionalização deverá ser visto com um horizonte mínimo de 3/5 anos.

Artigo publicado originalmente na Turbo Oficina nº 66.

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