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Published on Novembro 17th, 2012 | by Cláudio Delicado

Centro Zaragoza. O CSI da reparação automóvel

A Turbo Oficina foi até Saragoça, em Espanha, ver quais as melhores práticas no que diz respeito à reparação automóvel. Entre os seus dois centros (Pedrola e Alcañiz), o Centro Zaragoza (CZ) criou um verdadeiro cenário CSI em que analisa, testa avalia cada componente do automóvel, seja ligeiro, comercial ou pesado. Acompanhe-nos nesta visita guiada a um centro de investigação automóvel único na Europa. 

As instalações principais ficam num complexo industrial onde estão centenas de empresas ligadas ao setor automóvel, nomeadamente a fábrica de Figueruelas da Opel. A organização é impressionante e o volume de trabalho e de testes feitos mostram que o rigor científico está presente em cada ação. As batas e fatos-macaco brancos dão uma ajuda nesta imagem.

Os objetivos do CZ passam pela “investigação na gestão e controlo dos danos materiais, assim como na prevenção dos danos físicos, dentro do seguro automóvel, e o fomento de iniciativas para a melhoria da segurança rodoviária”, explica Mariano Bistuer, vice-presidente do Centro Zaragoza. O organismo independente tem como acionistas 19 segurados, entre elas a portuguesa Fidelidade-Mundial, do Grupo Caixa Geral de Depósitos.

O Centro Zaragoza investiga, experimenta e estuda as características, métodos e sistemas de reparação dos danos dos veículos (ligeiros, comerciais e pesados) em consequência de um acidente de viação. Boa parte da investigação que aqui se faz tem como objetivo dotar as seguradoras de tabelas, dados e conhecimento sobre o grau de reparabilidade de um carro (e das suas peças) depois de um impacto. Mas também qual o tempo total da reparação. Daqui saem  as tabelas usadas depois pelos peritos destas seguradoras, praticamente todas elas a operar em Portugal e seguidas pelas oficinas onde tem lugar a reparação. Tudo fica balizado: consoante o estrago se a peça é recuperável, quanto tempo demora essa operação e quanto tempo leva. Daí sai o orçamento a pagar pela seguradora à oficina de reparação. O perito só tem que avaliar e aplicar estas tabelas.

FORMAÇÃO DE PERITOS

Depois do trabalho de definir estas tabelas é necessário dar formação aos peritos e a todos os profissionais implicados na reparação de veículos acidentados, nomeadamente às oficinas. Para isso, o CZ tem quatro salas de aulas teóricas em cada um dos dois centros em Saragoça. “Os cursos são eminentemente práticos e são essencialmente dirigidos a peritos de seguros, técnicos e tramitadores de sinistros de entidades seguradoras, profissionais de oficinas, polícias, construtores de automóveis e técnicos de inspeção periódica de veículos”, explica Mariano Bistuer.

O CZ tem atualmente cerca de 40 cursos diferentes além de fazer cursos à medida de cada empresa ou entidade. De Portugal são vários os peritos que vão a Saragoça fazer cursos de reciclagem. Existem vários acordos com entidades portuguesas como a Anecra, a Aran ou a Auto Sueco, com a sua rede de oficinas Top Car, com um plano de formação a longo prazo. Neste caso passa pela área de gestão para gerentes, mas também pela formação de bate-chapas e pintores, ligados ao trabalho de carroçaria.

A CERTIFICAÇÃO DE OFICINAS É UMA APOSTA PARA PORTUGAL. JÁ SÃO MAIS DE 100 E ASSIM É MAIS FÁCIL CHEGAR ÀS SEGURADORAS 

PEÇAS CERTIFICADAS

Uma das atividades do CZ é também a certificação de peças. Estas passam por uma exigente bateria de testes para poderem receber a etiqueta do Centro. Este selo é reconhecido na maioria dos países europeus. Isso faz com que os construtores independentes possam ter as suas peças certificadas e usadas pelas oficinas em vez de uma peça original da marca. O selo CZ garante que tem a mesma qualidade e permite, muitas vezes, reduzir os custos de reparação. Qualquer fabricante independente pode submeter as suas peças à certificação CZ.

OFICINAS MERECEM ESTRELAS

Uma vertente cada vez mais importante do trabalho e que fecha este ciclo de certificação de todo o trabalho de reparação está do lado das oficinas. “A oficina de reparação de automóveis não é diferente de qualquer outra indústria de produção e precisa de evoluir. As intervenções de reparação executadas corretamente podem deixar de ser suficientes para conseguir a satisfação dos clientes e a sua fidelização. A prestação de outros serviços que a tornem apelativa, competitiva e por vezes exclusiva é um caminho que as oficinas não podem abandonar”, explica o vice-presidente do Centro Zaragoza.

Atualmente, o Sistema de Certificação de Oficinas CZ é uma atividade consolidada e ativa, ou seja, não se limita à certificação da oficina, mas incentiva o melhoramento contínuo de umas e reconhece a distinção daquelas que se encontram na posse de níveis mais elevados e o seu desejo é superar-se, impulsionando e potenciando todos os seus níveis de organização e permitindo assim o reconhecimento de oficinas de três, quatro e cinco estrelas, consoante os serviços, a gestão, a formação e também a capacidade de inovar. No fundo, são avaliadas as boas práticas. Em Portugal já existem mais de 100 oficinas certificadas (disponíveis no site do Centro Zaragoza).

O orçamento anual do CZ é de cinco milhões de euros, autofinanciando-se através de toda a sua atividade, não tendo qualquer ajuda estatal. O objetivo para este ano é continuar a crescer em Portugal, nomeadamente ao nível da formação e da certificação de oficinas.

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