Editorial

Published on Outubro 10th, 2016 | by Andreia Amaral

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Batalha digital

O facto de o futuro passar, cada vez mais, pelos dados e pelo mundo digital já não é estranho à maioria das pessoas. Independentemente do quando e do como se concretizará em pleno, no setor existe já a certeza de que, para sobreviver, há que contemplar esta dimensão no negócio, seja através da disponibilização de plataformas que permitam a ligação em tempo real ao cliente, seja pela integração de tecnologias no quotidiano da atividade que viabilizem uma resposta eficiente e proactiva às necessidades dos veículos e do mercado.

Esta perceção ficou, de resto, bem patente na Automechanika Frankfurt, onde os maiores e mais diversos fornecedores do aftermarket apresentaram produtos com estas apetências. É isso que poderá comprovar no especial sobre o certame que lhe revelamos nas próximas páginas.

Ainda no âmbito daquilo que o futuro reserva para o setor, não podemos deixar de destacar aquela que é uma das maiores preocupações dos grandes fornecedores e que, em boa verdade, deveria estar no topo das prioridades de qualquer agente que queira preservar o seu negócio a médio prazo: o acesso concorrencial aos dados gerados e emitidos pelos veículos.

Assegurar a possibilidade de acesso a estas informações é um pré-requisito à sobrevivência de todo o aftermarket independente e é essencial que, individualmente, exista essa noção, para que, em conjunto, se possa lutar por uma regulamentação que o imponha. Senão, vejamos: com as marcas e concessionários oficiais a saberem, a todo o momento, as necessidades do veículo e a conseguirem comunicar diretamente com eles e com os seus proprietários, propondo serviços de valor acrescentado e intuitivos, que hipóteses terão os negócios independentes de ter sucesso?

Temos de enaltecer a responsabilidade de empresas como a ZF Aftermarket, que tomam como seu o dever de lutar por todos. Em entrevista exclusiva à TURBO OFICINA, Helmut Ernst afirma mesmo que os maiores devem dar voz àqueles que não se conseguem fazer ouvir em instâncias superiores. Tal não significa, contudo, que os mais pequenos se possam desresponsabilizar do seu futuro. Não é aceitável esperar que os outros combatam as nossas batalhas e depois apontar dedos nas derrotas ou aceitar louvores nas vitórias.

Sabemos que, em Portugal, a pro-atividade, a mobilização e o associativismo não tendem a imperar, mas talvez seja tempo de, em época de mudanças, também isso ser diferente. O futuro começa hoje e é bom que se prepare e que faça por tê-lo!

Por: Andreia Amaral – Editora-Chefe

Artigo originalmente publicado na Turbo Oficina n.º53

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