Especialista

Published on Novembro 17th, 2012 | by Cláudio Delicado

Autozitânia. Uma família crescida

De uma empresa pequena nascida há 25 anos se fez um dos principais distribuidores de peças do país. Ideias há muitas mas a crise pede prudência. A Autozitânia mantém-se à margem da crise e aposta na proximidade dos clientes. 

Há 20 anos, quando Nuno Palma, atual responsável de importação, entrou na Autozitânia, as encomendas eram feitas com uma régua e uma folha de papel contínuo. “Demorava horas”, recorda. Agora a vantagem é que o computador gera uma encomenda num piscar de olhos.

Este é um pequeno exemplo de tudo o que aconteceu na Autozitânia, empresa 100% portuguesa, de raiz familiar, prestes a completar 26 anos e hoje com 90 funcionários. O ano de 2012 é de desafios e o principal é não deixar que a crise afete o negócio. “Há quem diga que o negócio aumentou com a crise mas a prática não mostra isso. Pela lógica não se vendem carros novos e as pessoas deviam reparar mais os carros. Estão a fazê-lo mas apenas o básico, a que são obrigadas. Se precisarem de amortecedores preferem esperar mais seis meses. As pessoas não têm poder de compra”, constata Nuno Palma.

Ricardo Venâncio, administrador e responsável de vendas, explica que sentem que “esta crise é muito diferente da que sentimos em 2008. Agora, há uma grande contração do rendimento das famílias e isso baixa o consumo. Pelo contrário, 2009, 2010 e 2011 foram anos de grande crescimento”. É um ciclo vicioso e se as pessoas não reparam o carro, as peças vendem-se menos e há cada vez mais empresas a terem que fechar portas. “Essa é uma possibilidade de crescimento para nós, mas não é saudável e não é assim que gostamos de crescer porque é sinal de que o mercado perde força”, acrescenta Nuno Palma. Por isso, remata Ricardo, “este ano vai ser o ano da clarificação. Quem não tiver uma estratégia e pernas para andar não sobrevive. Acreditamos que em 2013 voltaremos aos bons resultados”.

À DISTÂNCIA DE UM CLIQUE

A Autozitânia consegue colocar-se neste momento à margem da crise. O segredo? “A distribuição duas vezes por dia, a logística, muito trabalho e uma relação de proximidade com os clientes. Temos que ter a peça  quando o cliente precisa”, explica Ricardo Venâncio. Isso implica stocks generosos em todos os pontos de venda, mas na sede, em Odivelas, onde fomos recebidos existem sete pisos de armazém. A Autozitânia distribui 80 marcas, com cerca de 60 mil referências e tem, em stock, cerca de 750 mil unidades de peças. Ao todo são 400 clientes ativos, mais 300 na Autozitânia 2 – a loja onde os clientes profissionais compram diretamente. A empresa de Odivelas importa peças de 15 países, especialmente entre Europa e Ásia.

É por todos estes números que a informática e a inovação entram em campo. “Se as coisas não tivessem evoluído, hoje precisávamos de 10 pessoas só para tratar das encomendas e dos stocks”, brinca Nuno Palma. “A internet também veio contribuir decisivamente para o nosso sucesso. Anteriormente para identificar uma peça precisava de uma série de catálogos de uma marca e hoje em dia os clientes vão ao catálogo eletrónico e identificam a peça na hora. Com a mais-valia de saber se há em stock, em qual dos quatro centros e coloca automaticamente a encomenda no nosso sistema com informação de preço. No dia seguinte tem as peças na mão”, explica Nuno Palma. Este é o pilar do sucesso, que implica uma organização rigorosa de encomendas, stocks e distribuição. A Autozitânia faz duas entregas diárias, uma logo de manhã e outra à tarde, o que é fundamental porque as peças são sempre precisas para ontem.

O FUTURO E A PROFISSIONALIZAÇÃO

Os próprios fabricantes de automóveis e peças evoluíram no sentido de “complicar no bom sentido. Antigamente um filtro dava para muitos mais carros do que hoje. Cada modelo tem uma especificidade própria”, explica Nuno Palma. Isso obriga a uma cada vez maior profissionalização. Mas “esse é o principal problema das oficinas em Portugal, a profissionalização.

A organização em redes também ajuda a puxar pelos tradicionais. Há uma nova geração que começa a perceber que hoje não se pode mudar umas pastilhas de travão num carro novo sem ter uma máquina para fazer um reset. As coisas estão a mudar mas há um longo caminho para percorrer”. O responsável acrescenta: “A eletrónica há uns anos eram umas bobines que se mudavam. Hoje em dia são módulos de eletrónica em todo o carro. Centralinas e sensores para tudo. Um carro hoje é bem mais complicado”. E isso requer formação. Também aqui muito mudou. Nuno Palma caricatura esta evolução: “Há uns anos propunhamos formação e alguns clientes respondiam: Há almoço? Então vou. Hoje são eles que ligam a pedir as formações”.

“Aqui os patrões costumam dizer que todo o dinheiro deles está investido nas prateleiras, em stock.”

O preço também é um fator de decisão para os clientes. “Não fazemos loucuras nem esmagamos preços para vender mais. Os nossos clientes sabem que temos uma relação preço/qualidade muito competitiva e um bom stock. É raro um cliente discutir preços connosco”, explica Nuno Palma enquanto mostra as intermináveis prateleiras de peças do armazém.

Como o objetivo não passa por tentar chegar às grandes redes de oficinas, Ricardo Venâncio projeta o futuro: “Mais facilmente a Autozitânia teria um conceito de apoio a oficinas através da rede de distribuição, sempre em parceria com os nossos clientes. Não queremos ir para o mercado das oficinas. Temos que apoiar as oficinas e as lojas que  as fornecem não podem fechar”. A crise não deixa que os projetos sejam muitos, mas este ano a empresa conta mudar as instalações da sua sede para responder ao crescimento dos últimos anos. A Autozitânia espera continuar também a criar postos de trabalho todos os anos, como tem feito até aqui.

O SEGREDO

A Autozitânia continua a ser uma empresa familiar. Sempre foi, mas foi crescendo e é um pouco maior. Atualmente são 90
os funcionários do grupo. O patrão está sempre aqui e é muito fácil falar com ele. Tudo se resolve rápido e não há obstáculos que dificultem o trabalho. Isso no dia-a-dia, garantem, faz toda a diferença.

FICHA DO ESPECIALISTA

AUTOZITÂNIA

ÁREA DE NEGÓCIO – DISTRIBUIÇÃO DE PEÇAS
4 CENTROS LOGÍSTICOS – ODIVELAS (11 mil m2), MAIA, COIMBRA E MESSINES
SEDE – QUINTA DAS URMEIRAS, LOTE 3, PAIÃ – ODIVELAS (4700 m2)
LOJAS AUTOZITÂNIA – AMADORA, ALMADA, MONTIJO, ODIVELAS E VIALONGA
REPESENTAM – 80 MARCAS (UMA MARCA PRÓPRIA DE BATERIAS, A NOSTOP)
VOL. NEGÓCIOS 2011 – 28 MILHÕES DE EUROS (GRUPO)
SITE – WWW.AUTOZITANIA.COM
TELEFONE – 214 789 100

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